♥ Um livro... ♥





Trago aqui minha participação  no Desafio da Sissi...

 Pensei num livro e fui remexer minha memória. Enquanto isso, aqui em casa o tema  que se falava era a natureza.  Lembrei então desse livro que gosto muito e vale sempre folhear, ler, reler... É sempre atual!


Trago então, trechos desse 4º capítulo ...Se prestarem atenção ,verão  logo onde quero chegar...


Participem vocês também.Cliquem AQUI!



O livro é esse:



 E o capítulo a que me refiro é esse:


O Instante Decisivo


“Viva cada dia como se fosse morrer amanhã, e cada minuto como se fosse o seu


último”, disse um sábio. E de fato, se colocássemos em prática este conselho, levaríamos adiante as nossas vidas com uma intensidade extraordinária.


Somos todos dominados pelo fascínio perigoso do último minuto. Nos filmes, o herói vence definitivamente seus inúmeros adversários no momento final – quando a sua vitória já parece impossível. Temos o hábito de cumprir nossas obrigações na última hora.


Entregamos o imposto de renda, pagamos as contas, pegamos o ônibus ou o avião no último momento.
“Não faça hoje o que pode ser deixado para amanhã”, é o nosso lema. Por que seria diferente com a preservação ambiental?


A prática da destruição do meio ambiente se acumula há muito tempo e a defesa ecológica é sistematicamente deixada para depois por certas autoridades. A degradação dos ecossistemas se arrasta há séculos, mas o tempo para agir está ficando cada vez mais escasso. O último momento é a época de crise e despertar que estamos vivendo hoje.


Até aqui, cada civilização que desapareceu devido à destruição das florestas, desertificação do solo e desorganização climática pôde renascer como outra sociedade com características novas em uma parte diferente do planeta.

A degradação ecológica é responsável por boa parte das migrações populacionais. Agora, no entanto, vivemos em uma única civilização global, e não há nenhum outro planeta à nossa espera.

A proteção do meio ambiente avança mais lentamente do que seria de esperar. Esta lentidão faz com que o perigo fascinante cresça, até que todos compreendam: o último momento chegou.


A consciência ambiental existe há milênios, e o movimento ambientalista moderno surgiu nas últimas décadas do século dezenove em países como Estados Unidos (com John Muir) e Alemanha. Também no Brasil o alerta ambiental não nasceu ontem. Ao escrever sobre a necessidade de uma agricultura eficaz no Brasil, o líder da independência brasileira,


José Bonifácio de Andrada e Silva descreveu a importância dos rios, lagos e outros elementos do ambiente natural, e acrescentou:


“Como, pois, se atreve o homem a destruir, em um momento e sem reflexão, a obra que a natureza formou em séculos (...)? Quem o autorizou para renunciar a tantos e tão importantes benefícios? A ignorância, sem dúvida.”


E ainda:

“Destruir matas virgens, nas quais a natureza nos ofertou com mão pródiga as melhores e mais preciosas madeiras do mundo, além de muitos outros frutos dignos de particular estimação, e sem causa, como até agora se tem praticado no Brasil, é extravagância insofrível, crime horrendo, e grande insulto à mesma natureza.


Que defesa produziremos no tribunal da razão, quando os nossos netos nos acusarem de fatos tão culposos? Já nós com justificada causa arguimos o passado dos crimes cometidos a este respeito.” (1)


José Bonifácio não foi ouvido como deveria pela sociedade brasileira, mas seu testemunho permanece conosco.


Notas:

(1) Necessidade de uma Academia de Agricultura no Brasil, José Bonifácio, texto incluído em Obra Política de José Bonifácio, Centro Gráfico do Senado Federal, Brasília, 1973, 340 pp., ver pp. 35 a 48. A citação específica vem das pp. 41 e 42.